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Dias Felizes

Dias Felizes

À Grande e à Francesa

Quando nos deparamos com o belo, ainda que a ideia de belo levante natural discussão, por instantes as dores dos desatinos, sejam eles quais forem, sucumbem. Belo, para mim, foi neste acaso das minhas viagens, descobrir a obra de Henri d' Orléans, duc d'Aumale na província de Paris, aonde fui buscar mais elementos para uma história onde o belo é a palavra-de-ordem (a mot juste) na forma de filantropia e bondade. Na terra do Chantilly, as natas do céu, herdou o Duque o seu castelo e recheou-o de arte, a melhor do seu tempo. Livre das vaidades, pensou-o num território dos outros, dos vindouros. A França é pátria orgulhosa e de peitos opulentos. Por exemplo, vende queijos e vinhos (por vezes, sofríveis) como quem vende feitos da sua História onde estão momentos admiráveis como a Comuna de Paris ou a Revolução. O Duque encheu a casa de arte, mas foi na sua honorável biblioteca que me fez sentir um afortunado. Fui ali movido pelos cavalos, o hipódromo e as afinidades com Ascot, e dei por mim cercado por um leitor e coleccionador omnívoro da literatura mais esmerada. As estantes não aspiraram à quilometragem do Trinity College, nem foram erguidas para servir de decoração ou levar à cobiça do Vaticano. A biblioteca do Duque é acima de tudo um lugar para se repousar o corpo inteiro, para então deixar o castelo e partir rumo à leitura. Procurar logo nessa tarde um par que seja de livros de alfarrábio, num bouquiniste do Sena, procurar um cadeirão de leitura de veludo coçado num antiquário e inteirar o espírito de um Rabelais ou Montaigne em honra do magnânimo Duque.

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