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Dias Felizes

Dias Felizes

Em Busca de um Mundo Melhor (III)

Decorre um fenómeno “social” em terras de Portugal - e outras tantas decerto - a que vou chamar de abjecto, palavra onde se junta o prefixo ab e o substantivo objecto. Fulano ou fulana A, sabe que sicrano ou beltrana B, se depara com um problema, daqueles cuja solução, ainda que um dia resolvida, dará azo a uma perda, um desgosto, uma desilusão, um dissabor e uma confrontação (mais uma), com a dura realidade da vida. A vida é tanto do que se passa no mundo interior, onde podemos refrescar as ideias das formas mais simples e inesperadas, por exemplo, um mazagran bem servido, como do que se passa do lado de fora, onde os humanos se chocam, abalroam, agridem e matam por dá cá aquela palha. O fenómeno, com nada de novo na História da sanha humana, dita que uns, mais dados à perfídia e à insinuação costeira (a das costas), se regozijem diante da notícia de que um seu inimigo (declarado ou não), sofra e padeça de severas dores, como pode ser a dor do estupro, do abuso de poder cabotino (da suma autoridade fiscal, por exemplo), ou do mero despeito pelo que habita de bom em cada alma perdida. Um simples pedido de desculpas, genuíno, sentido, pode resolver sadiamente muita coisa podre de espírito. Ou uma devolução do dinheiro legalmente roubado (pela suma autoridade fiscal, por exemplo), que tanta falta fez e faz e fará para o proveito dos meus filhos que seja, ainda longe da idade para se sustentarem e vítimas maiores da canalha. Olho ao meu espelho onde tantas vezes se reflecte a raiva do injustiçado e penso na frase “irei cuspir-vos no túmulo”, ou outra que diz “agradeço aos meus inimigos que muito me ajudaram na carreira”. São frases odientas de que não me orgulho, e das quais fujo como do Diabo da cruz, que é a cruz de todos, mesmo dos que se julgam imunes às tomadas de consciência. Porém, diante de quem a quem entregámos a máxima confiança e que nos trai, que nos achincalha, ou tem em si a possibilidade de o fazer e com ela se regozija, que sentimentos mais humanos se despertarão, do que aqueles que vão ditos em cima, e levaram Vian e Cela a dizê-lo, alto-e-bom-som, aos que lhes rezavam pela pele? Soa de belo efeito dizermos ao mundo e ao espelho partido que somos bons, mas muito bons são os que nada disseram e apenas se limitaram a fazer pela vida, a vida onde caiba a felicidade e não a ruína dos outros, de quem comeram na mesa e de cujos favores gozaram, gozando agora o prato com a cara de cu à paisana que deus lhes deu.

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