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Dias Felizes

Dias Felizes

Luaty

Um homem apresta-se a morrer para denunciar um regime.

Um homem encarna (a pele e osso) a palavra coragem.

Um homem que é um Homem contra 1000 ratos que são homenzinhos.

Um homem só é Homem quando é capaz de dizer Este Sou Eu.

Angola, a Angola dos ratos e homens.

Um dia, há anos, escrevi a história de um empresário português instalado em Luanda. Era dono de uma loja de fotografia, casado com uma angolana. Um dia passaram uns fulanos vindos da noite e quiseram prolongar a farra. Viram a luz da loja acesa. Entraram. Um deles de apelido Van Dunen. Um deles senhor ministro. A mulher do empresário estava na loja. Não estava só, mas eles, os senhores ratos, não sabiam. Havia uma empregada que viria a ser a testemunha ocular de uma ronda de violações e crime. Deixaram a mulher do empresário de vagina e ânus exangues, de pescoço partido, e partiram, como javardos saciados, de snaita recolhida. A empregada viu tudo e contou tudo o que viu. O marido viúvo encontrou-se comigo no Ritz e falou e chorou e jurou enfrentar o regime, fosse aonde fosse. A história (publicada n’ O Diabo) deu brado, e a TVI deu-lhe continuidade mediática. Disseram que eu estava a soldo da UNITA, a par do capanga Rogeiro. Perseguiram-me. Ameaçaram-me. Fizeram-me esperas à porta de casa e do jornal. Processaram-me e ao jornal por abuso de liberdade de Imprensa. Perderam sempre, até ao Supremo Tribunal. Nunca fui a Angola. Nunca irei a uma Angola dominada por criminosos. Está tudo dito. Está tudo escrito e mostrado. Tudo o que distingue um país democrático de um país tomado pela mais profunda miséria, a que distingue os homens livres dos ratos. Luaty é um mártir por histórias como esta.

 

P.S. A decisão de suspender a greve de fome acontece a pedido da mulher. Luaty cede ao amor maior que há na vida (os filhos, a mulher), mantendo-se firme no seu amor pela liberdade. Luaty sabe que esta Angola está doravante exposta na vitrina dos grandes tiranos, uma vitrina sem véus e de vidros estilhaçados. Está desmascarada a Angola do zé e dos seus algozes. Está em carne viva a Angola das chacinas. Cabe agora a todos nós não nos calarmos, como não se deve calar ninguém diante de uma flagrante injustiça, a dos factos que falam ou gritam.

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