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Dias Felizes

Dias Felizes

Mãe

A confluência de dois mundos, primeiro. 


Nascido do Desejo, do Amor-Desejo, da impetuosidade juvenil, do frenesi, que posso saber para além de uma intuição primeva? 


Memórias fotográficas, uma birra no meio da rua, de calças à boca de sino, as bochechas em chamas, os cabelos muito louros em labaredas, as primeiras de muitas cóleras bíblicas através dos meus tempos. 


A mão, a mãe, a confluência de dois mundos. 


A mão certa até ao fim, ainda que a vida nos afaste sem nunca nos separar. 


A mãe numa fotografia a preto e branco no primeiro ano sempre presente nas estantes de casa por maiores as incompreensões.


A mãe, as mães emprestadas, a mãe, porém, sempre, do retorno muito mais tarde onde estamos.

Confidente das coisas simples, enternecida na sua voz de mãe ao quadrado, de rugas a germinar e a caminhar para o pergaminho da mãe que há pouco lhe partiu, a mãe que foi minha mãe.

Mãe dos ensinamentos. Mãe dos seus próprios tormentos. 


A mãe foi até mim e um dia abraçou-me e ficou no abraço. 


Nasce-se com sangue e com sangue se corta para sempre a possibilidade da união perfeita (Clarice).

Um dia vamos morrer-nos e nunca saberei se foste ou serás minha mãe outra vez, mão-mãe da dádiva perpétua, da humildade, da bondade das grandes asas. 
Desta vida uma vitória já podemos celebrar, a do regresso ao primeiro abraço.

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