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Dias Felizes

Dias Felizes

Margarida

Daqui a nada, neste instante-já, o impacto desta emoção imensa, desmedida, torrencial, febril, como (me) nascem as mais vincadas paixões, irá dissipar-se como um sopro, uma respiração, uma aragem. A ela voltarei, porém, como nunca deixamos de voltar aos nascidos de nós e aos de quem nascemos, do sangue e de abaixo do sangue, os mais próximos da união perfeita. Os seres das palavras indizíveis, do silêncio imperativo, que se abre e fecha num abraço voraz, como um golo de água fresca diante da sede, como ver na surpresa do caminhar distraído quem amamos do amor inquestionável. A emoção de ver-te o rosto ainda mais radiante, os sapatos novos num arrumo impecável, a saia cinzenta plissada de goma, a camisinha branca de estampa, os soquetes vermelhos, a mochila, os livros, as sebentas, os lápis, os pincéis e os guaches, mais do que tudo, habitada pelo teu lindo e sincero olhar astuto que distingue, como eu nunca serei capaz, como se chega de um amarelo vivo a outro torrado ou do azul anil ao cobalto. É o teu primeiro dia de aulas e tudo em ti fervilha de alegria potável e efusiva, como no teu primeiro dia de vida onde nada se divisa a não ser o grito da fome e da sede, que é o da vida dos ávidos do princípio ao fim, no primeiro dia de tudo o que conta. Adivinho-te, nas tuas danças de palavras e pinturas aladas o dom maior, o de seres já uma grande mulher, querida Margarida, querida Gigi branquinha.

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