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Dias Felizes

Dias Felizes

Martim

Hoje o meu filho Martim faz 12 anos. Estamos juntos há mais de 10. Nunca viu outro pai a quem chamasse de pai, donde, este é o meu filho. Não sei ao certo como é para ele o laço de pai e filho. Se é mais ou menos apertado, mais ou menos viçoso, ainda que o oiça chamar-me de pai sem hesitar, ou abraçar-me e procurar-me para conselho ou apenas por artimanha, como faz o mais pródigo dos filhos. Tenho mais duas rebentas. É claro que tendo a olhar a caçula com mais tolerância e a fazer-lhe coisas e a falarmos de coisas, que à mais velha (Carolina) parecerão próprias de duas crianças, e ao meu filho (Martim), agora um rapazola na puberdade, serão dignas de um desenho-animado para bebés. Aos doze anos, gastava as horas a jogar à bola (a dar toques, sobretudo), à carica, ao berlinde (ou ao guelas), ao pião, a construir casas nas árvores e andar à chinchada ou a escapar aos ciganos chonés, antes de ser convertido à sua aldeia no coração do Areeiro. Morava num bairro de rapazes, onde as raparigas estavam em manifesta inferioridade numérica, pelo que a perdição e o amor ficaram adiados para outras paragens. O meu filho devota-se ao Ipad e ao iPhone como em tempos me terei devotado ao ZX-Spectrum e ao Subbuteo. Quando daqui a nada lhe der um livro a cheirar a mofo, da Biblioteca dos Rapazes, de título “As Aventuras de um Rapaz nas Florestas do Amazonas”, do Ballantyne, vai praguejar como o gru mal-disposto ou vociferar como o anão zangado, mas ficará radiante ao abrir o livro e vir lá dentro um jogo, em louvor dos tempos modernos.

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