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Dias Felizes

Dias Felizes

O negócio dos livros

Ouve-se dizer das dificuldades - impossibilidades - de um autor de livros lusitano, vulgo um escritor, viver com desafogo do seu ofício, como poderá viver um político. Digamos, ser capaz de produzir um livro competente, razoável ou talvez mesmo uma obra-prima a cada dois anos, digamos assim, porque Escrever não é encher chouriços de palavra picada. Há autores prolíficos que, sem grandes burguesismos, poderão viver das suas obras. A ganhar dinheiro que se veja deverá haver por aí uma mão cheia de prosadores, nem todos é certo, escritores de caixa alta. Portugal, comparado com o Brasil, pode gabar-se de editar a bom ritmo e os autores poderão queixar-se menos do que um ganense ou mesmo um angolano cingido aos leitores da sua pátria. Choca a muita gente que um candidato a autor pague para editar como faz, por exemplo, a editora Chiado. Como choca que a ETC, do malogrado Vítor Silva Tavares, não pague direitos de autor e ainda assim muitos aspirantes a escritores de elite façam fila para lá editar as suas obras. Como editar ou como não editar eis a questão? Ou como editar e repartir o lucro justamente. Um editor da praça decidiu editar segundo um princípio não inédito (mas não arcaico), que já Miguel Torga praticou, e reparte irmamente os lucros das suas edições, pedindo apenas ao autor que se empenhe na comercialização e divulgação da sua obra, pois o burgo não tem mecenas que paguem impressões, ou se tem são vontades anónimas de gente simpática. Para garantir uma edição sem prejuízos é necessário que se garanta um x de exemplares. Para viver da escrita num T1 da periferia (sem filhos e mordomias) um autor terá que vender 5000 mil livros por ano. Embora este seja um pequeno mundo de competição, onde as vaidades proliferam e há os que nunca saem do palco para descer à terra, acredito que há espaço para todos os que amem o seu ofício e o pratiquem com rigor, honestidade e devoção.

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