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Dias Felizes

Dias Felizes

O sexo dos escritores

O dizer vulgar e provocador de ALA (António Lobo Antunes) sobre a menoridade artística de FP (Fernando Pessoa) enquanto “homo artisticus” pela sua suposta ausência de coitos (coitus nulus) atiçou as brasas de pessoanos, praticantes moderados, abstémios e abstinentes (que se distinguem no vício). Se Pessoa praticou ou não com Ofélia ou outras e outros e com ele próprio e os seus múltiplos, é apenas da sua conta. O efeito do absinto é perceptível, tal como a prosa destilada, torrencial, genial na inventiva e sem maus fígados. Vasco Graça Moura, a título de exemplo, um praticante a quem nos idos de juventude chamavam de o “7Up”, nunca foi pessoano idólatra nem andou perto do Orfeu, mas as suas embirrações e desassossegos guardava-os para o círculo restrito dos seus conhecidos a quem ironizava sobre o pau parabólico do poeta. Sou defensor apaixonado e convicto do poder curativo do sexo amoroso para o alívio de almas indispostas, e estou em crer que uma por dia tem o poder da ingestão de uma maçã (Golden). Uma destas, por mais ou menos inspirada, poderá dar uma página feliz, ou pelo menos uma boa gargalhada, nem que seja pelas barrigas descaídas, as varizes, os derrames, ou a polpa dos tecidos aparentada aos perus. Se FP praticou ou não praticou e desfrutou dos néctares de Afrodite além de Baco e de Cápua, e se ALA se ajeita (ou ajeitava) na cama e na cobrição como por vezes (muitas vezes) na criação dos seus escritos solipsistas e taurinos, são coisas de pouca monta que não devem ocupar o sossego dos espíritos.

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