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Dias Felizes

Dias Felizes

Reflexão Política

Eu, tal como o desobediente civil Henry David Thoreau, aceito com entusiasmo o lema que afirma - “O melhor governo é aquele que menos governa”, e gostaria de vê-lo posto em prática de forma sistemática. Uma vez posto em prática, ele acabaria resultando em algo que também acredito. “O melhor governo é aquele que não governa”. Quando os homens estiverem preparados, será exactamente este o tipo de governo que irão ter.

O governo é sempre, na melhor das hipóteses, um mal necessário. Mas a maioria deles é geralmente - e todos eles são, algumas vezes - um mal desnecessário.

Quem precisa efectivamente de ser governado a não ser o governo da sua própria conduta? Não perdemos a nossa integridade e mesmo a nossa vitalidade ao sermos dobrados pela intenção do voto achando ser outro capaz de levar por diante, os nossos desejos de paz e prosperidade, aquilo que na nossa infantilidade achamos estar a cargo de outrém? A lei jamais conseguiu fazer com que os homens se tornassem mais justos e muitas vezes o próprio respeito que ela inspira transforma o mais justo dos homens num agente da injustiça, servindo ao Estado como máquinas de guerra, agiotagem e estupro.

Os governos demonstram como é possível enganar o povo e até mesmo enganar-se uns aos outros em seu próprio proveito. Nenhum governo deste burgo mais recente demonstrou capacidade de criar homens livres, de educar o povo a quem pede votos, levando o mais das vezes os pais de filhos a arrastarem-se para terem como prover o pão para a boca, além do acesso à educação. Em suma: o mal necessário convida a que se escolha aquele em que mais nos revemos como um espelho do que acreditamos ser uma voz digna e elevada. Posto isto o meu voto vai para… o Dalai Lama.

 

P.S. Todas as formas de votação são uma espécie de jogo, semelhante ao xadrez ou ao gamão, com uma leve conotação moral, uma forma de brincar com o certo e o errado, com as questões morais, e as apostas são um complemento natural desse processo. Não está em jogo o carácter dos votantes. Eu voto de acordo com aquilo que me parece ser mais certo, mas não estou grandemente preocupado em fazer com que o que é certo vença. Estou disposto a deixar que a maioria vença. O seu compromisso jamais ultrapassa, portanto, os limites da conveniência. Mesmo ao votar pelo que nos parece justo não estamos a fazer nada em prol da causa. É apenas uma maneira de expressar, debilmente, aos outros homens o nosso desejo de que o que é direito acabe por triunfar. Um homem sábio jamais entregaria a defesa do que lhe parece certo aos azares da sorte, nem desejaria que vencesse graças ao poder da maioria. O único voto que interessa é aquele que expressa a sua própria liberdade.

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