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Dias Felizes

Dias Felizes

Sorrisos budistas

O sorriso budista é uma imagem de marca universal, como o falo (em pedra) do Cristiano Ronaldo deposto na ilha da Madeira, os rebuçados de funcho, ou o sex-appeal do nosso enxofrável presidente Silva. No Japão, o budismo e o xintoísmo são as religiões dominantes em larga percentagem, não havendo expressão de outro credo ou religião. Se o facto dos templos e altares onde ecoam os mantras, sutras e invocações de um Buda imaculado e sem auto-comprazimento na dor ditam ou não o carácter de um povo, creio não haver ciência que o determine. Facto inegável são os sorrisos dóceis de norte a sul, acompanhados de uma palavra sempre suave a qualquer hora do dia, que fazem da cara alegre dos japoneses para onde quer que se caminhe uma benção do encontro. Sorriem e fazem uma vénia a pretexto de qualquer comunicação, sejam camponeses ou executivos apressados, como se servir (e não ser servil) fosse um imperativo diante de outro ser, seja homem ou formiga. Talvez daí se expliquem os seus olhos rasgados e as rugas de expressão. Serena as almas desconfiadas estar com gentes que sorriem, indiferentes se nos escarnecem ou gozam das nossas patéticas caras engelhadas, desconhecendo o que dizem quando viramos costas, e se riem ainda mais certamente dos nossos modos agitados e macambúzios. Sorrirão da nossa neurose de turismo sôfrego, sempre a corrermos entre um lugar e outro, sem nos determos a contemplar o que o mais certo é não voltarmos a ver, nem que seja a contemplação carinhosa da angústia de tudo, seja mau ou bom ou assim assim, ter um fim risível.

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