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Dias Felizes

Dias Felizes

Uma ideia de Justiça

É dos temas mais apaixonantes da condição humana, e aviltantes quando toca ao seu antónimo. Por estes dias, e por muitos que virão, dada a chamada sentença irreversível (ou sem apelo, nem agravo), aflige-me a ideia de que a justiça (fiscal) quando nasceu, não nasceu para todos. O peso de uma sentença injusta só seria aliviado se houvesse uma justa atitude de todos os implicados, e digo aliviado e não justiçado, pois uma vez ditada a conta arredondada é esta sumária até à cobrança do último usurário tostão. Perguntais como podíeis perguntar a vós mesmos o que está em causa factualmente? Chama-se, na douta linguagem do Direito, o das linhas tortas, suspeita não provada de dupla tributação recaindo a prova sobre o sujeito passivo, sendo apenas provável a prova se o sujeito passivo isento de contabilidade organizada tiver meios para pagar a sua justa defesa, de outro modo, é condenado à chamada regra do paga e cala. Calar não cala, porque não se calam injustiças e é com factos que se denunciam os abusos, os crimes, as prepotências e todas as formas de saque. Denunciam mas não revertem a não ser pagando a justa defesa (é justo que o diga). Nada, em boa verdade, nasceu para todos, a não ser nascer e morrer. Por exemplo, o mister Jorge Jesus não é para todos, nem podia, depois de uma injusta limpeza estalinista dos feitos semeados com o emblema da Luz digna da Nomenklatura dos senhores do Apparatchik. Por agora, JJ é reclamado pelo SCP como um messias, um iluminado, e a única coisa que leva a tal gáudio é o homem ser adepto do clube e o indiscreto gozo de gozar com os lampiões lampeiros de perna alçada e tosco fair-play. Somos um povo dado ao sebastianismo e ao cabotinismo quando podia dar-nos para outros lados, salvo seja, mais justos e assertivos e dignos da nossa triste sorte colectiva que é ver aos milhões a morrer na praia, nas chamadas ruas da amargura. A palavra justa é uma preocupação dos artesãos da palavra. É justo que diga - sem palavrões - o Governo defunto era uma autoridade medíocre e auto-fágica onde pululavam seres pouco dados à humanidade e esperemos agora melhores dias, e o diabo seja cego, surdo e mudo. Ao dizer isto sem teoremas de politólogo nem meneios de aspirante a estadista serei apodado de ingénuo como fui em partes do meu livro Quo Vadis, Salazar? (Escritos do Exílio) onde expus a minha justa indignação por ter sido saqueado por uma entidade dotada de poderes legais de extorsão que se diverte como divertem os adeptos a espezinhar e a escarnecer da sorte alheia achando decerto que os males e as derrotas nunca lhes virão bater à porta nem que seja na forma de uma assombração ou de uma alma-penada. Ou depenada, neste caso.

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